quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

GQ Nº02/10 (DE) - Tradução

E a entrevista tão esperada finalmente saiu! Abaixo, trazemos a tradução da entrevista que os gêmeos deram para a revista alemã GQ. Não deixem de conferir, realmente vale a pena ;)

Quando o Tokio Hotel iniciar a primeira parte da turnê "Welcome to Humanoid City" no dia 22 de Fevereiro, os shows vão ser no Olympiastadium em Moscovo, Paris, Roma e (por agora) apenas duas datas para a Alemanha, em Oberhausen e Hamburgo (26 e 28 de Fevereiro).

Uma prova de que os amigos de escola de Magdeburgo são verdadeiras estrelas mundiais com o seu metal-melancólico Glam-Rock. Os gêmeos de 20 anos, Bill (vocalista) e Tom Kaulitz (guitarrista) contaram-nos que o Tokio Hotel se vê com um estilo próprio, também com a sua criatividade, e são jovens lutadores num mundo que ainda tem de aprender a respeitá-los, depois da espetacular sessão fotográfica para a GQ, em Hamburgo.

Bill e Tom Kaulitz, nos encontramos com vocês dois, mas sem os seus outros dois colegas de banda, Gustav Schäfer e Georg Listing. Eles ficaram ofendidos?
Tom
: Precisamente o contrário, deram-nos os parabéns.
Bill: Se fosse tudo com o Gustav e o Georg, eles apenas tocariam bateria e baixo e ficariam à parte de tudo.

Há uma separação entre a banda?
Bill
: Não, não. Isto já acontece desde o início: Eles deixam isto das sessões fotográficas, entrevistas e tapetes vermelhos para nós. Há mais ou menos seis ou sete anos atrás, os repórteres de revistas da nossa pequena cidade queriam falar com a gente, e desde aí que eu e o Tom representamos a banda.

Os seus dois colegas estão vivendo em Magdeburgo. Mas vocês mudaram-se de Hamburgo à uns cinco anos atrás.
Bill
: O Gustav e o Georg também moraram aqui (em Hamburgo) durante a nossa primeira vez num estúdio, mas rapidamente voltaram para Magdeburgo depois disso. Para dizer a verdade, não os entendo. Mas talvez eu e o Tom sejamos casos especiais quando se trata desses assuntos. A nossa infância foi um tempo díficil para nós. Ir para a escola em um bairro perto de Magdeburgo era horrível. Estamos contentes por estamos longe dali.

Não podemos encontrar muitas fotografias desses tempos na Internet. Vocês têm vergonha da infância de vocês? Como é que as que existem foram publicadas?
Bill: Algumas delas foram publicadas por ex-colegas nossos. Outras foram dadas à imprensa: Fotografias de nós em bebês e ainda crianças, também de algumas aparições de quando o Tokio Hotel ainda era chamado Devilish.

Vocês já não precisam de álbuns de fotografias - podem simplesmente chegar no Google e reavivar as memórias.
Bill
: Recentemente decidimos começar a tirar mais fotografias. Viajamos por tantas cidades bonitas e vivemos tantas coisas que queremos guardar... Foi aí que nos lembramos: Não precisamos fazer isso porque temos sempre um camera-man com a gente! Desistimos de tirar fotografias privadas.

Para muitas outras bandas pop adolescentes, a histeria em volta deles terminou depois de algum tempo. O Tokio Hotel, bem pelo contrário, são um sucesso mundial com os seus prêmios da MTV, turnês esgotadas na Europa e lugares nos tops de música americanos. Foram vocês que escolheram viver as suas vidaa estritamente em público para conseguirem isso?
Bill: Eu e o Tom decidimos isso. Mesmo com todos os seus lados negativos - mas aprendemos a lidar com isso. É ruim quando puxam para a nossa vida pública as pessoas que não queremos: Pais, familiares, amigos. Fazemos o possível para protegê-los do público. Mas, hoje em dia, quando você tem o sobrenome Kaulitz, é difícil ter uma vida normal.

Ser uma estrela pop, mesmo que tivessem que desistir da vida normal de vocês por completo - Quando é que decidiram isso?
Bill: Quando tinhamos 15 anos. Quando o nosso primeiro single "Dursch den Monsun" foi lançado. Foi uma sensação fantástica saber que o single foi muito bem sucedido. A partir daí apareceram as primeiras manchetes...
Tom: ...E fomos imediatamente confrontados com tudo!
Bill: As primeiras histórias nos tablóides já existiam antes. E quando passaram a nossa música na rádio, os pedidos aumentaram e perguntamos a nós mesmos: O que é que se passa aqui? Para onde estamos indo? Uma vez deixei cair um pedaço de vidro no chão, no dia seguinte podia ver um pedaço dele à venda no Ebay. Mas essas experiências são boas. Começamos cedo, é por isso que aprendemos as coisas mais cedo também. O Tokio Hotel não é um prego, é a nossa vida. Não há praticamente nada além disso, apenas os nossos familiares mais próximos. No ano em que produzimos o nosso primeiro álbum não queriamos nos envolver na imprensa. Não funcionou.
Tom: Não pode mudar isso. Não há um fim.

Alguma vez tiveram dúvidas? Há celebridades que se podem afastar mais facilmente porque não aparecem muito.
Bill: Claro que me perguntei "Será que vou conseguir fazer as mesmas coisas como antes?" Podemos ver isso pelos nossos antigos colegas de escola. Eles vão para a Universidade ou têm as suas primeiras experiências com empregos. Coisas que não podemos fazer. Felizmente, tenho sempre a sensação de que o que faço chama por mim. Qual a outra coisa que eu poderia fazer? Não posso viver com sucesso, mas também não posso viver sem ele.

Mas a música já faz parte da sua família. O seu padrasto também toca numa banda. É verdade que foi ele que influenciou vocês para o Rock&Roll?
Bill: Ele nunca nos falou disso. Ele apenas fazia música e havia vários instrumentos pela casa. A uma certa altura, nós dois pegamos neles. O nosso padrasto percebeu que o Tom andava pela casa tocando guitarra e explicou-lhe as coisas mais básicas. Ele não deixou que ninguém nos ensinasse. Eu e o Tom temos sérios problemas com autoridade.

Qual é a razão pela qual se mudaram tão cedo?
Bill: Como eu disse, é dificil viver em uma pequena cidade e ter o nosso estúdio em Hamburgo.
Tom: No início, iamos muitas vezes para casa. Nos últimos quatro anos temos vivido lá (em Hamburgo) 100%. Partilhamos um apartamento-estúdio. Apenas dois rapazes e quatro cães. Não conseguimos imaginar outra coisa. Acho que nenhum de nós se mudaria.

Isso parece estranho para quem não entende. Claro que irmãos ficam juntos - mas o fato de eles raramente discutirem e partilharem quase tudo...
Bill (interrompe): Calma. Eu não consigo imaginar isso entre irmãos. Não se pode esquecer de que somos gêmeos idênticos. É isso que é especial, é isso que é a diferença.
Tom: O fato de me sentar e pensar que posso passar uma hora sem o Bill nunca acontece. Nós temos divisões suficientes em casa para estarmos os dois - e agora estamos praticamente sempre na sala os dois o dia inteiro, quando temos tempo. Apenas vamos para diferentes quartos quando se trata de dormir.

Vocês são ambos vegetarianos. Também foi uma decisão tomada em conjunto?
Tom&Bill (ao mesmo tempo): Sim! (risos)
Tom: Isso não resultaria de outra maneira. Seria insuportável para um se o outro ainda comesse carne.
Bill: Essa decisão foi pelos animais. Apesar de eu adorar comer, antes! Praticamente vivia para os hamburgers. Mas felizmente, existem muitas alternativas.
Tom: Mas não pensem que isto é apenas uma viagem de bem estar. Continuamos comendo pizza, cachorros quentes, hambúrgueres - mas sem a carne - todo o dia. Ainda é deliciosamente saudável. Só falta a carne.

Tanta harmonia é assustadora, mesmo com gêmeos. Já alguma vez odiaram um ao outro?
Bill: Sim, temporariamente. Aos 13, andamos em guerra pelo menos um ano. Estávamos atravessando a puberdade e andavamos testando os nossos limites. Naquela altura, tinhamos amigos separados, e cada um de nós passava muito tempo com a sua namorada. Crescemos um pouco separados naquela época.
Tom: Por agora, ainda temos os mesmo amigos.

A música voltou a unir vocês?
Bill: Este projeto em comum, é praticamente a única coisa que se manteve constante ao longo do tempo. Mesmo quando não nos davamos bem. Sempre levamos a banda muito a sério. O Georg e o Gustav eram um pouco diferentes, viam a música como um passatempo. O Georg às vezes não praticava muito. Eu e o Tom estávamos muito mais sérios e determinados. E você não pode esquecer que nós apenas tocamos para dez pessoas no centro da juventude.
Tom: E ainda é assim, hoje. Pode ficar bastante cansativo, porque gostamos de controlar tudo, não importa como as coisas se complicam por causa disso. Cada imagem que é lançada tem que ser dado um sinal verde por nós. As decisões podem levar anos, porque todos tem uma palavra a dizer.
Bill: Quase nunca estamos realmente satisfeitos. Somos malucos pelo controle, completamente perfeccionistas. Tentei ser mais relaxado, recentemente. Mas ir embora e deixar as coisas na mão de um estranho - é bastante difícil para mim quando se trata de assuntos da banda.

Qual é o calcanhar de Aquiles dos gêmeos Kaulitz?
Tom: Não nos preocupamos com as perguntas que não queremos que nos façam.
Bill: Quando saimos do palco e sabemos que algo deu errado, ficamos em silêncio. Ninguém fala.

Já tiveram discussões em que todo o drama que fizeram não valeu a pena? Por exemplo, se a gravadora colocou a cor errada na capa do single ou algo do gênero?
Tom (respira fundo): Isso seria uma catástrofe. Eu explodiria.
Bill: Se alguma coisa dessas acontecesse, eu não dormiria como deve ser durante um ano... Mas eu me lembro de uma coisa; algumas das nossas músicas do Humanoid já estavam ilegalmente online, três meses antes do álbum ser lançado. Mal podia acreditar que alguém tinha roubado a arte na qual gastamos tanto tempo e energia.

É um problema normal nos dias de hoje. Como é que reagiram?
Bill: Não vamos mostrar nunca mais nenhuma música às gravadoras antes do tempo, nunca mais. Às vezes chega à mãos erradas. Fomos cuidadosos, mas agora já aprendemos.
Tom: Tudo precisa ficar na mão de no mínimo de pessoas possível. A nível de negócios, há tanta gente envolvida com o Tokio Hotel: a gravadora alemã, a francesa, a Interscope nos Estados Unidos, e por aí fora. Há inúmeras pessoas envolvidas, as quais não conseguimos controlar.

Se a música é um tópico tão emocional, será que o projeto da banda não põe em perigo o amor entre irmãos?
Tom: Pode-se dizer isso. Teoricamente. Ambos temos o problema de nos concentrarmos nos aspectos negativos das coisas. Se há uma má mensagem, nos esquecemos completamente das 20 boas que temos. Más notícias fazem-nos melhorar a situação. Podemos nos guiar pelas coisas boas.
Bill: Isso é coisa típica de gêmeo. Quando estamos contentes, o Tom tem 10000 coisas pela sua cabeça. Depois nos sentamos no sofá, relaxamos, o que acontece uma vez por ano.
Tom: Na verdade, acho que isso não aconteceu nos últimos cinco anos.

Quase que conseguimos ouvir isso nas suas músicas. As bandas adolescentes soam sempre melodiosas, menos obscuras e vendem - as músicas do Tokio Hotel foram sempre obscuras, sérias e relembram a ingenuidade da infância. Como é que vocês dois, tão diferentes, conseguiram concordar em apenas um estilo musical?
Bill: Boa pergunta. Privadamente, apenas discutimos por causa de música. Ele apenas ouve música hip-hop e eu ouço todos os tipos de coisas. Não conseguimos nos entender quanto a isso.
Tom: Quando começamos, foi fácil. Não tínhamos escolha! Nunca nos sentamos e dissemos: Vamos soar como esta ou aquela banda. Estavamos limitados. Apenas faziamos aquilo de que éramos capazes. Há um tópico que percorre todos os nossos trabalhos, uma linha contínua.

Quando alguém vê vocês hoje - o glamuroso e parecido com um alien, Bill, e o rapaz com um streetstyle, Tom, ninguém pensaria que vocês são gêmeos. Quando é que começaram a ir por caminhos diferentes?
Bill: Isso é difícil de explicar. Chegou a uma altura em que apenas queríamos sair da sombra um do outro. Estar longe daquela imagem aborrecida de gêmeo. Imaginem. Em uma escola é sempre: "Os gêmeos isto, os gêmeos aquilo". Mas por outro lado é natural que tenhamos desenvolvido personalidades diferentes, uma vez que fazemos as coisas juntos. Ou talvez não.
Tom: Eu poderia por as coisas desta forma: Tudo o que um ser humano completo pode ser, nós repartimos por dois. Cada um de nós escolheu a sua área e aperfeiçoou as suas capacidades. O Bill é o mais criativo dos dois, eu estou mais do lado dos negócios. Se juntarmos tudo isso, somos uma pessoa só, apenas um único ser humano. Mas um muito versátil.

Isso significa que nunca foram rivais em todos os anos que passaram?
Bill: Nunca pensamos em qual de nós seria o filho favorito e quem é a ovelha negra. Fomos sempre uma equipe. Como eu disse, mudamos com 15 anos, ganhamos o nosso dinheiro. Não tínhamos tempo para infantilidades - aconteceu tudo muito cedo. Às vezes sinto que eu e o Tom mudamos muito rápido, porque ensinamos um ao outro o que aprendemos. Gêmeos idênticos crescem rápido porque partilham tudo. Incluindo experiência.

Como um ser humano com quatro ouvidos.
Tom&Bill: Exatamente!
Tom: Um filho único vive tudo só uma vez, tem apenas um ponto de vista. Nós sempre partilhamos tudo. Olhamos de todas as perspectivas.
Bill: A nossa mãe sempre nos disse que uma vez nos desligou as luzes do quarto à noite e que ficavamos acordados pelo menos mais uma hora para falarmos tudo e discutirmos tudo. Desde aí, é sempre assim.

Vocês disseram à mãe de vocês: Quando crescermos, vamos comprar um Cadillac para você!
Bill: Não, mas sempre quisemos ser independentes e com dinheiro nas nossas carteitas. Sempre quisemos ter as nossas roupas, celulares e essas coisas. Ter responsabilidades nunca foi algo que nos assustou. Eu me senti bem aos 15 anos sabendo que já podia pagar o aluguel e encher a geladeira.

Alguma vez quiseram ter outro irmão ou irmã?
Bill: Não.
Tom: Seria muito complicado para o novo bebê. Sempre tivemos ligações fortes - As pessoas de fora nunca entram 100%. Nem mesmo irmãos imaginários.
Bill: Talvez isso tivesse resultado meio ano depois, mas não seria biologicamente possível. (risos)

O que aconteceria se apenas um de vocês se tornasse famoso? Continuariam irmãos gêmeos e amigos inseparáveis?
Tom: Acho que sim! Talvez tivéssemos seguido coisas diferentes. Um poderia tornar-se músico e o outro poderia ir para a Universidade. Mas uma vez que um de nós se tornasse famoso, o outro também iria tornar-se com certeza. O Bill teria me feito o seu produtor. Ou se eu tivesse estudado design industrial, talvez o contratasse.
Bill: Por favor, não façam rumores sobre isso. O que eu vou dizer é apenas um jogo de pensamentos. Mas eu não cantaria em lugar nenhum sem ser no Tokio Hotel. Não conseguiria sem o Tom. E mesmo que eu estivesse sozinho, precisaria dele para me apoiar, dar-me palavras de força. Não trabalhamos muito bem separados

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